quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Forte


FORTE
Forte. Eu sou forte como as amas de leite, como as mulheres dos pescadores, como as pretas apequenadas. O meu corpo é quase pedra, tem mesmo o formato de uma pedra, não me permitindo a vulnerabilidade de uma silhueta muito afilada.
E o rosto, Deus! Um rosto que não combina com esta idade e esta pedra.
É o que sei de mim, o resto não me lembro. Perdi numa cachoeira ou nas diversas vezes em que chovi.
A mãe, o cuidado, a morte se despedindo: você jamais será leve como as meninas que pintam nas bolsinhas das meninas... E o teu perdão nunca vai ser de beijo, mas de nódoa que perde a cor com o tempo.
Nossa Senhora dos Partos, olhai por mim que não sou mãe e tenho algo crescendo em mim. Não alegre como um filho, mas um câncer que ainda vai corroer o meu sorriso e nunca mais há de me deixar catar conchinhas, inflamando muito mais que a garganta.
Mãe, ajuda-me com os homens, que eles sejam meus e eu nunca mais os amamente com o que não posso.

25/11/04

3 comentários:

João de Ricardo disse...

punk!

Costurada para dentro disse...

Um pouco sim, mas não tem mais a ver com como as coisas são hoje... Já passou.

Guigo disse...

Lud!!! Gostei bastante!!! Tô tentando fazer um pro AcompanhiA também!
Dá trabalho, rss
Bjinho...