
Se ao invés de corações de boi eu arrancasse com a mão nua, sem luvas ou qualquer outra proteção, o meu coração(de vaca)e atirasse numa pequena mulher nua que, à minha frente se pusesse tão voluntariamente como alvo, doeria tanto nela quanto em mim? Ou será que me traria o alívio de ter no peito uma cavidade oca?
Eu precisaria arrancá-lo de uma vez e com vontade, porque certamente ele teria tendência a não se desgarrar de mim, ficando preso como um aleijão por um ou dois fios de carne e algumas veias resistentes.
Passaria assim a se arrastar pelo chão onde eu caminhasse, e eu teria de escondê-lo dentro do sapato, da barra da calça (de volta no peito nunca).
Sempre que eu descuidasse, que estivesse à vontade ou me divertindo a ponto de não me preocupar em escondê-lo, ele escapoliria, aparecendo sempre arranhado e sujo, indesejavelmente, como uma imensa mancha de menstruação num vestido de baile.
E quando as pessoas, enojadas, o notassem, eu, com vergonha, diria: "Não é meu".
Para Thaíse, minha contribuição mel-o-dramática.